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Como escolher plataformas de ITSM baseadas em ITIL para evoluir ao ESM em 2026

Milena Lemes

A maioria dos gestores de TI que avalia plataformas de ITSM chega ao processo com critérios vagos: “precisa ter catálogo de serviços”, “tem que ser fácil de usar”, “queremos ITIL”. O resultado é uma seleção mal calibrada, seguida de uma implantação longa e adoção baixa.

O mercado global de ITSM foi avaliado em aproximadamente USD 11 bilhões em 2024 e deve crescer a uma taxa anual composta superior a 12% até 2030, segundo dados do IDC e da MarketsandMarkets. No Brasil, a pressão regulatória, o crescimento dos centros de serviço compartilhados e a maturidade crescente dos times de TI estão acelerando a demanda por plataformas que vão além do simples controle de chamados.

Em 2026, a equação ficou mais complexa por um motivo específico: o ITIL Version 5 entrou em vigor em fevereiro deste ano, trazendo IA como condição operacional padrão, não como recurso futuro. A plataforma de ITSM que você escolhe hoje precisa ser avaliada com esse referencial.

O que mudou com o ITIL 5 e por que isso afeta sua escolha de plataforma

O ITIL Version 5 foi lançado oficialmente em 12 de fevereiro de 2026 pela PeopleCert. Ele não substitui o ITIL 4, e os dois frameworks coexistem durante a transição. A novidade relevante para quem está selecionando uma plataforma de ITSM está em três mudanças estruturais.

Primeiro, o ITIL 5 trata IA e automação como condições normais de operação, não como capacidades opcionais. O framework inclui o ITIL AI Capability Model, estruturado em seis dimensões: criação, curadoria, clarificação, cognição, comunicação e coordenação. Isso significa que uma plataforma de ITSM alinhada ao ITIL 5 precisa oferecer governança de IA, não apenas automação de fluxos.

Segundo, o ITIL 5 amplia o escopo do ITSM para gestão de produtos e serviços digitais em conjunto, substituindo a cadeia de valor de serviços do ITIL 4 pelo Product and Service Lifecycle Model (PSLM). O resultado prático: a plataforma precisa suportar gestão de ciclo de vida de ponta a ponta, do discovery ao suporte contínuo.

Terceiro, o framework passou a medir sucesso por resultado do usuário, não por volume de tickets fechados. Isso coloca experiência e deflexão como métricas centrais, e não como indicadores secundários.

O que é ITIL Version 5?
ITIL Version 5 é a versão mais recente do framework de gestão de serviços de TI, lançada em fevereiro de 2026. Ele expande o ITIL 4 ao integrar nativamente governança de IA, gestão de produtos digitais e métricas baseadas em resultado do usuário, mantendo as 34 práticas de gestão do framework anterior.

Os sete critérios que definem uma plataforma de ITSM competitiva em 2026

1. IA nativa, não integrada por fora

O critério mais relevante em 2026 é a forma como a IA está integrada à plataforma. Há uma diferença significativa entre plataformas que têm IA como camada nativa, treinada no contexto de ITSM, e plataformas que simplesmente conectam um modelo de linguagem genérico via API.

Perguntas práticas para avaliar:

  • A IA está disponível desde o plano base ou é restrita ao tier mais caro?
  • Ela opera com conhecimento do domínio de TI desde o primeiro dia, sem necessidade de treinamento extensivo?
  • Há separação clara entre IA para autoatendimento do colaborador, assistência ao analista e analytics para o gestor?
  • A plataforma oferece governança sobre o que a IA pode fazer, em quais canais e com quais limites?

2. Deflexão de chamados com agente conversacional

A capacidade de deflexão é a métrica mais direta de ROI em IA para ITSM. O agente conversacional precisa resolver requisições comuns sem criar ticket, dentro dos canais onde o colaborador já trabalha, como Slack, Microsoft Teams e o portal de autoatendimento.

O benchmark de mercado atual está entre 60% e 70% de deflexão em operações onde a base de conhecimento está bem estruturada. Plataformas que não conseguem demonstrar essa métrica em provas de conceito merecem atenção especial na avaliação.

3. Centralização real de incidentes e requisições

O primeiro teste prático de arquitetura: a plataforma permite que todos os canais de entrada (e-mail, portal, chat, telefone, integrações com monitoramento) alimentem uma fila unificada, com visibilidade e priorização centralizadas?

Plataformas que exigem filas separadas por canal ou por área forçam o analista a trabalhar em múltiplas telas e aumentam o tempo médio de resolução. A centralização de incidentes e requisições em um único painel operacional é pré-requisito, não diferencial.

4. Automação de fluxos de trabalho sem dependência de TI

A automação de fluxos de trabalho em ITSM passou de feature avançada para requisito básico. O que diferencia as plataformas maduras é a capacidade de construir automações sem código, com construtores visuais acessíveis a analistas de suporte e gestores de processo.

Critérios práticos para avaliar:

  • Existe construtor visual de workflows com lógica condicional?
  • É possível automatizar aprovações em múltiplos níveis?
  • Há roteamento inteligente de chamados por habilidade, disponibilidade e carga de trabalho?
  • A plataforma executa ações em sistemas externos via integração nativa ou webhook?

5. Usabilidade e tempo real de adoção

Implantações de ITSM fracassam com frequência não por falha técnica, mas por baixa adoção dos usuários finais. O portal de autoatendimento precisa funcionar com a mesma fluidez de um e-commerce: busca eficiente, catálogo visual, status em tempo real.

Do lado dos analistas, a interface precisa reduzir o número de cliques para as ações mais frequentes. Plataformas que exigem navegação profunda para registrar um incidente simples criam resistência imediata.

6. CMDB e gestão de ativos com qualidade de dado sustentável

Uma base de configuração (CMDB) mal mantida é pior do que não ter CMDB. O critério aqui não é apenas a existência da funcionalidade, mas a capacidade da plataforma de alimentar e atualizar o CMDB de forma automatizada, via descoberta de ativos por agente ou integração com ferramentas de MDM e monitoramento.

O ITIL 5 reforça explicitamente a convergência entre ITSM e ITAM como obrigatória, não opcional. A gestão de ativos vinculada ao CMDB permite identificar quais itens de configuração estão relacionados a um incidente em aberto, acelera o diagnóstico e é pré-requisito para uma gestão de mudanças confiável.

7. Arquitetura preparada para ESM

A expansão para gestão de serviços corporativos (ESM) significa replicar o modelo de delivery de serviços da TI para RH, Financeiro, Facilities, Jurídico e outras áreas. A pergunta técnica é: a plataforma permite criar departamentos de serviço independentes, com catálogos, filas e SLAs próprios, sem multiplicar licenças ou criar instâncias separadas?

Plataformas que exigem instâncias distintas para cada departamento aumentam o custo total de propriedade e fragmentam a visibilidade gerencial.

Por que o Freshservice está entre as principais plataformas de ITSM para empresas médias em 2026

O Freshservice combina os sete critérios acima com uma proposta de valor específica para empresas médias: profundidade funcional sem a complexidade de implantação das plataformas enterprise tradicionais.

Freddy AI: três camadas para três perfis de uso

O Freshservice não oferece uma IA genérica. O Freddy AI é estruturado em três componentes com funções distintas:

  • Freddy AI Agent: agente conversacional para o colaborador final, disponível em Slack, Microsoft Teams, e-mail e portal de autoatendimento, com suporte a mais de 40 idiomas. Opera sem criação de ticket para requisições comuns. Segundo dados da Freshworks, organizações que usam o Freddy AI Agent registram uma média de 66% de deflexão de chamados.
  • Freddy AI Copilot: assistente para o analista de suporte, com geração automática de rascunhos de resposta, sumarização de threads longas, sugestão de casos similares e recomendações de atualização da base de conhecimento com base nos padrões reais de tickets.
  • Freddy AI Insights: analytics para o gestor, com detecção proativa de tendências, análise de causa raiz e consultas em linguagem natural que geram gráficos e relatórios sem necessidade de configuração técnica.

A Freshworks reporta 76% de redução no tempo de resolução quando os analistas utilizam o Copilot. O componente também inclui Knowledge Content Recommendations, que identifica automaticamente lacunas na base de conhecimento com base nos tickets recorrentes.

Leia: Gestão de Conhecimento: a estratégia eficaz da Copastur com o Freshservice.

Roteamento inteligente e prevenção proativa

Em novembro de 2025, a Freshworks lançou o Intelligent Routing no Freshservice: atribuição automática de chamados baseada em habilidade do analista, disponibilidade e balanceamento de carga, com o objetivo de prevenir violações de SLA antes que ocorram.

A plataforma também integra monitoramento de experiência digital do colaborador (DEX) via Riverbed Aternity, identificando problemas em endpoints antes que o usuário abra um chamado. Isso representa uma mudança de modelo reativo para operacional proativo, alinhada diretamente com o foco do ITIL 5 em resultado do usuário.

Tempo de implantação competitivo

O Freshservice foi projetado com uma arquitetura de configuração, não de customização de código. A maioria das implantações para módulos core entra em produção entre 4 e 8 semanas em ambientes de médio porte, com templates de processo alinhados ao ITIL prontos para uso.

CMDB com descoberta automatizada de ativos

O módulo de Discovery do Freshservice identifica automaticamente os ativos de rede por agente instalado nos endpoints ou por varredura de rede, alimentando o CMDB sem dependência de cadastro manual. As relações entre CIs são mapeadas visualmente, o que facilita a análise de impacto em mudanças e incidentes críticos.

ESM nativo com templates por departamento

Em 2025, o Freshservice para Business Teams tornou-se disponível como produto independente, com templates pré-configurados para RH, Financeiro, Facilities e Jurídico. Cada área opera com catálogo, filas e SLAs próprios dentro da mesma instância, com integração a sistemas como Workday, ADP, BambooHR, DocuSign e Dropbox Sign.

Um em cada quatro clientes elegíveis de Freshservice ITSM já utiliza o módulo Business Teams, segundo a própria Freshworks, que reportou mais de USD 35 milhões em ARR para esse produto até setembro de 2025.

Perguntas frequentes sobre plataformas de ITSM e ITIL 5

O ITIL 5 exige que eu troque de plataforma de ITSM?

Não. O ITIL 5 é um framework, não um requisito de produto. Mas se sua plataforma atual não oferece governança de IA, métricas de experiência do usuário e gestão de ciclo de vida de produtos digitais, ela ficará fora do alinhamento com as práticas mais recentes.

O que é ESM e como se relaciona ao ITSM?

ESM (Enterprise Service Management) é a aplicação das práticas e plataformas de ITSM a áreas de negócio além da TI, como RH, Financeiro e Facilities. Uma plataforma com arquitetura ESM nativa permite essa expansão sem necessidade de novas ferramentas ou instâncias separadas.

Qual é o tempo médio de retorno de uma implantação de ITSM com IA?

Organizações que implementam agentes de IA para autoatendimento em plataformas de ITSM reportam deflexão de chamados entre 60% e 70%, com redução de tempo de resolução acima de 70% nos chamados atendidos por analistas com suporte de copilot. O retorno mensurável aparece nos primeiros seis meses de operação.

Como a Nortrez pode ajudar

A Nortrez é parceira Freshworks no Brasil e no México e conduz implantações de Freshservice em empresas médias de diferentes setores. O processo cobre levantamento de requisitos de processo, configuração alinhada ao ITIL, integração com os sistemas existentes do cliente e treinamento das equipes.

Para organizações que precisam de operação contínua após a implantação, a Nortrez oferece o Admin as a Service (AaaS): administração gerenciada que mantém o ambiente configurado, atualizado e em evolução, sem que o cliente precise alocar headcount técnico exclusivamente para isso.

Para equipes que querem extrair mais valor das capacidades de IA do Freshservice, seja expandindo a base de conhecimento do Freddy AI Agent, seja estruturando automações mais complexas no Orchestration Center, a Nortrez também atua em implantações scoped de IA dentro da plataforma.

Se você está avaliando plataformas de ITSM e quer entender se o Freshservice é adequado para o porte e a maturidade da sua operação, fale com a Nortrez.

Milena Lemes é jornalista e especialista em Marketing, Propaganda e Vendas. Como Redatora na Nortrez, une estratégia e escrita por acreditar no poder de transformação que a informação de qualidade exerce na sociedade e nos negócios.

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